perguntas e respostas sobre dislexia

A dislexia é um transtorno específico da aprendizagem que afeta habilidades básicas de leitura e linguagem, dificultando o processo de alfabetização. Ela tem suas raízes em diferenças nos sistemas cerebrais responsáveis pelo processamento fonológico que resultam em dificuldade para processar os sons das palavras e associar os sons com as letras ou sequências de letras que os representam. Outros fatores que podem vir associados são déficits nas funções executivas, dificuldades no processamento auditivo e/ou visual e desenvolvimento psicomotor.

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A dificuldade central da dislexia é o processamento fonológico, por isso, indivíduos com dislexia apresentam dificuldades para processar e manipular sons. Isso pode causar atraso no desenvolvimento da fala, além de outras dificuldades na linguagem oral.

Este déficit no processamento fonológico também interfere no aprendizado da leitura e da escrita, pois o disléxico enfrenta dificuldades para associar os sons das palavras com as letras ou sequências de letras que os representam.

Os sinais da dislexia incluem:

Na linguagem oral:

  • Atraso no desenvolvimento da fala;
  • Problemas para formar palavras de forma correta, como trocar a ordem dos sons (popica ao invés de pipoca) e confundir palavras semelhantes (umidade / humanidade);
  • Erros de pronúncia, incluindo trocas, omissões, substituições, adições e misturas de fonemas;
  • Dificuldade para nomear letras, números e cores;
  • Dificuldade em atividades de aliteração e rima (como jogos de sons ou rimas infantis);
  • Dificuldade para se expressar de forma clara e apropriada.

Na leitura:

  • Dificuldade para decodificar palavras;
  • Erros no reconhecimento de palavras, mesmo as mais frequentes;
  • Leitura oral devagar e incorreta. Pouca fluência, com inadequações de ritmo e entonação, em relação ao esperado para a idade e a escolaridade;
  • Compreensão de texto prejudicada como consequência da dificuldade de decodificação;
  • Vocabulário reduzido como consequência do baixo reconhecimento de palavras.

Na escrita:

  • Erros de soletração e ortografia, mesmo nas palavras mais frequentes;
  • Omissões, substituições e inversões de letras e/ou sílabas;
  • Dificuldade na produção textual, com velocidade abaixo do esperado para a idade e a escolaridade.
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Estudos de imagens cerebrais mostram que crianças com dislexia geralmente demonstram uma ativação cerebral diferente de crianças sem dislexia. Inclusive, hoje já se sabe quais são as regiões cerebrais responsáveis por essas falhas e dificuldades na hora de ler. Na maioria dos casos, isso decorre de influências genéticas.

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Sim. Estima-se que entre metade e um terço das pessoas com dislexia tenham um parente disléxico. Às vezes, esse parente nunca foi diagnosticado, mas é possível perceber a existência da dislexia através do histórico de dificuldades de leitura e ortografia.

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Sim. A dislexia acontece em um continuum. A manifestação e a intensidade dos sintomas variam de pessoa para pessoa. Não há um corte natural separando os disléxicos dos bons leitores e, assim como ocorre na hipertensão, o nível de dislexia é definido de acordo com um ponto de corte pré-estabelecido. Portanto, algumas crianças que apresentam dificuldades de leitura podem não ser diagnosticadas como disléxicas por não se encaixarem em um determinado critério. Muitas crianças que não se “classificam” como disléxicas ainda podem precisar e se beneficiar de ajuda e tratamento.

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O processamento fonológico refere-se à habilidade de analisar a fala oral, identificando desde palavras individuais, partes de palavras e sílabas até os menores componentes de som (fonemas). A velocidade e a capacidade de armazenar, manipular e resgatar os componentes sonoros da palavra também fazem parte do processamento fonológico.

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Não. A dislexia é uma condição crônica que persiste ao longo da vida. Ela não é apenas um atraso temporário no desenvolvimento da leitura. Crianças que apresentam níveis mais baixos de leitura geralmente continuam a experienciar dificuldades ao longo da vida se não receberem uma intervenção de alta qualidade. Nunca é tarde demais para procurar ajuda.

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Não existem remédios para tratar ou curar a dislexia. O tratamento da dislexia consiste em adaptações pedagógicas e atendimento especializado, e é conduzido por profissionais da área de saúde ou de educação.

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Por se tratar de uma condição com base neurobiológica, não é possível prevenir a dislexia. Entretanto, estudos de intervenção precoce realizados em vários países demonstram que, quanto antes se iniciar a intervenção, menores serão a defasagem escolar e os impactos emocionais da criança com dislexia.

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O impacto da dislexia varia em cada pessoa, de acordo com a manifestação e a intensidade de seus sintomas. Fatores ambientais, como acesso a diagnóstico, intervenção e educação de alta qualidade, também determinam o impacto dessa condição na vida do indivíduo.

Além dos sintomas relacionadas à linguagem oral e escrita, também é importante considerar os efeitos que a dislexia pode ter na autoestima. Pessoas disléxicas frequentemente se sentem menos inteligentes e capazes do que elas realmente são. Ademais, dificuldades acadêmicas podem desmotivar o aluno de continuar os estudos, podendo causar evasão escolar.

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Sim. É importante que crianças com dislexia recebam uma intervenção apropriada, que inclua o treinamento da consciência fonológica e a instrução fonética (relação entre sons e letras). Pesquisas apontam que crianças que recebem este tipo de intervenção nos primeiros anos do ensino fundamental apresentam muito menos problemas de leitura nos anos posteriores. Além disso, quanto mais cedo se iniciar a intervenção, mais eficiente ela é. Mas nunca é tarde demais para pessoas com dislexia aprenderem a ler: adultos disléxicos também podem aprender a ler se receberem uma intervenção apropriada.

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Sim. Com um diagnóstico apropriado, uma intervenção de alta qualidade, esforço e apoio emocional, pessoas com dislexia conseguem alcançar sucesso na escola, no trabalho e na vida.

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Não. Há pessoas disléxicas de todos os níveis de inteligência. A dislexia é considerada uma dificuldade de leitura inesperada quando comparada às capacidades cognitivas da pessoa em outras atividades e domínios. Acredita-se que o disléxico geralmente tenha uma maneira diferente de pensar e enxergar o mundo, e que isso pode ser um ativo em várias situações e contextos.

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A avaliação diagnóstica de dislexia é um processo que inclui alguns fatores de exclusão, pois é preciso descartar a possibilidade de ocorrência de deficiências visuais e auditivas, déficit de atenção, escolarização inadequada e problemas emocionais, psicológicos e socioeconômicos que possam interferir na aprendizagem.

No Brasil, a avaliação diagnóstica geralmente é feita por uma equipe multidisciplinar, composta por diferentes profissionais. A composição dessa equipe pode variar dependendo dos sintomas apresentados e do centro ou clínica responsável pela avaliação. A equipe pode ser constituída por psicólogo, neuropsicólogo, fonoaudiólogo, médico (pediatra, neuropediatra, neurologista e/ou psiquiatra) e psicopedagogo. A vantagem da equipe multidisciplinar é garantir uma avaliação integral, em que cada profissional contribui com entendimentos e olhares específicos de sua área de conhecimento. Para que a avaliação multidisciplinar funcione, é fundamental que a equipe se reúna e compartilhe os resultados das avaliações especializadas, chegando a uma conclusão representativa das áreas investigadas.

Partindo do princípio de que a dislexia é consequência de um déficit no processamento fonológico, as seguintes habilidades devem ser examinadas durante a avaliação:

  • Consciência fonológica – habilidade para reconhecer e manipular sons da língua falada.
  • Memória fonológica – habilidade para lembrar e utilizar sons, sílabas e palavras.
  • Nomeação automática rápida – habilidade para nomear objetos, cores, letras e dígitos de forma rápida.
  • Vocabulário receptivo – compreensão de palavras ouvidas.
  • Associação fonema-grafema – compreensão da relação entre os sons e seus símbolos (letras e sequências de letras).
  • Decodificação – habilidade para utilizar as associações entre sons e letras a fim de identificar e pronunciar palavras escritas.
    • Decodificação de palavras reais.
    • Decodificação de pseudopalavras.
  • Leitura oral fluente – habilidade para ler de forma correta, com fluência e entonação apropriada, facilitando a compreensão.
    • Leitura fluente de palavras.
    • Leitura fluente de frases, parágrafos e textos.
  • Compreensão leitora – competência de interpretar e compreender informações de um texto escrito.
  • Soletração e ortografia.
  • Escrita.
    • Escrita de palavras.
    • Escrita de pseudopalavras.
    • Escrita de frases.
    • Escrita de parágrafos.
    • Escrita de texto.

Também é importante colher dados sobre o desenvolvimento da criança ou adolescente por meio de conversas e/ou questionários com a família e da análise do histórico escolar. Além da avaliação das habilidades de linguagem (listadas acima), é preciso examinar habilidades específicas, como a inteligência, a atenção e a memória.

As habilidades matemáticas também podem ser avaliadas como parte do processo diagnóstico. Alguns alunos com dislexia têm dificuldade para decorar e nomear informações numéricas, como a tabuada, mas apresentam habilidades matemáticas adequadas na realização de cálculos e na resolução de problemas. Além disso, um baixo desempenho em matemática pode ser consequência da dificuldade para ler os enunciados dos problemas. Ao avaliar as habilidades matemáticas, é importante considerar se as dificuldades apresentadas são apenas consequência da dislexia ou se vão além, podendo indicar uma discalculia.

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O Instituto ABCD não realiza atendimentos nem avaliações clínicas. Dentre nossos objetivos, destacam-se os programas de formação e atualização de profissionais da educação e da saúde, visando à construção de uma rede de apoio à pessoa com transtorno específico de aprendizagem.

Para a avaliação, contamos com instituições parceiras que integram nosso Programa Centros de Referência e núcleos de apoio independentes.

Caso haja interesse em realizar uma avaliação, é necessário contatar diretamente esses centros e núcleos para obter informações sobre disponibilidade de horário, listas de espera etc.

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A avaliação da dislexia permite a elaboração de uma documentação detalhada das habilidades prejudicadas e também dos potenciais de cada indivíduo. No contexto escolar, é o documento formal que garante as acomodações e adaptações pedagógicas necessárias. O registro da avaliação permite que o especialista, a escola e a família planejem e acompanhem o processo interventivo e o desempenho do disléxico ao longo tempo, analisando se as recomendações propostas estão sendo suficientes para o desenvolvimento das habilidades de linguagem ou se é necessário rever o processo de acompanhamento especializado e/ou escolar.

No que se refere a políticas públicas, o registro do diagnóstico permite quantificar quantas pessoas sofrem com essa condição em nosso país. Desta forma, os gestores públicos podem planejar melhor o investimento de recursos nesta área, seja no diagnóstico, seja no ambiente escolar, seja em campanhas de conscientização.

Além disso, o diagnóstico permite ao disléxico entender a origem de sua dificuldade, o que normalmente auxilia em questões emocionais e na autoestima.

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Cabe reforçar que não há prescrição de medicamentos para quadros de dislexia, e sim adaptações pedagógicas aliadas ao atendimento especializado de um profissional da área de saúde ou educação (psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo ou professor de educação especial). O processo de intervenção varia de acordo com a dificuldade e as necessidades do indivíduo.

O foco do trabalho interventivo deve ser fortalecer o processamento fonológico da pessoa com dislexia. Para tal, devem-se considerar as habilidades, as dificuldades e a idade da criança, adolescente ou adulto. Como a maior dificuldade da dislexia é aprender a ler, o trabalho interventivo deve se basear em métodos de alfabetização considerados eficientes para alunos com dificuldades de leitura.

O Instituto ABCD recomenda a alfabetização estruturada que foque habilidades específicas que o disléxico precisa adquirir e/ou fortalecer. A pessoa com dislexia se beneficia do ensino explícito, direto, individualizado, multissensorial, sequencial, diagnóstico e preventivo.

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Os seguintes comportamentos, atrasos e dificuldades podem estar associados à dislexia:

  • Atraso para aprender a falar;
  • Erros ao pronunciar palavras longas (cacholo / cachorro; helicótero / helicóptero);
  • Dificuldade para aprender nomes de números, cores, formas geométricas e letras;
  • Dificuldade para reconhecer palavras que rimam (gato / pato; pão / cão);
  • Dificuldade para aprender letras de músicas infantis;
  • Dificuldade para se expressar oralmente e para contar e recontar histórias;
  • Dificuldade para seguir instruções verbais;
  • Demora para desenvolver o vocabulário e aprender palavras novas;
  • Dificuldade com sons específicos (f/v; b/p);
  • Dificuldade e/ou falta de interesse para aprender as letras;
  • Dificuldade e/ou falta de interesse para aprender a escrever o próprio nome.

Pais, familiares, professores e outros profissionais da educação infantil podem reconhecer esses sinais e começar a ajudar a criança antes mesmo do ensino fundamental. Há muitos tipos de atividades que ajudam a criança a desenvolver a consciência fonológica e, assim, criar uma base para a alfabetização e as futuras aprendizagens.

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Recomenda-se que o diagnóstico formal seja feito após dois anos de escolarização formal. Assim, garantimos que a criança tenha sido suficientemente exposta à linguagem escrita e podemos descartar a hipótese de ela apenas ainda não ter tido oportunidades suficientes para se alfabetizar.

Entretanto, existem sinais precursores que já podem ser identificados no período pré-escolar. Ao examinar a consciência fonológica e outras habilidades de crianças de 4 e 5 anos, é possível determinar se elas apresentam riscos de dislexia. Apesar de esses sinais não confirmarem a existência da dislexia, essas crianças já podem se beneficiar de um trabalho de intervenção precoce, que consiste em atividades e jogos e pode ser realizada por pais, cuidadores e professores. Pesquisas demonstram que a intervenção precoce é bastante eficiente e evita que as dificuldades se agravem.

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Identificar o risco de dislexia é importante porque o cérebro da criança pequena ainda é mais plástico e isso permite que ela se beneficie mais de uma intervenção. Além disso, a cada ano que passa, a criança fica mais atrasada e precisa compensar milhares de palavras não lidas para tentar alcançar seus colegas. Ao longo do tempo, essa criança pode começar a se sentir fracassada, perder o interesse pela leitura e desenvolver um problema de autoestima. Quanto antes a dislexia for diagnosticada, menores serão a defasagem escolar e os impactos emocionais da criança.

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O trabalho de intervenção com crianças em risco de dislexia é composto por atividades e jogos que ajudam a desenvolver e fortalecer habilidades de linguagem, principalmente a consciência fonológica, antes de elas iniciarem o ensino fundamental. Esse trabalho pode ser feito por pais, cuidadores ou professores.

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Sim. A dislexia é considerada um transtorno específico de aprendizagem (TEAp) porque seus sintomas geralmente afetam o desempenho acadêmico de quem tem dislexia. O termo “específico” também significa que as dificuldades observadas não podem ser justificadas por outras alterações neurológicas, sensoriais, motoras e/ou cognitivas. Ela afeta, principalmente, o processo de alfabetização.

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A dislexia não é uma doença ou um transtorno da medicina, apesar de muitos neurologistas, geneticistas, psiquiatras, neuropsiquiatras e pediatras terem nos ajudado a aprender sobre esse transtorno. A dislexia é uma condição que requer intervenção educacional e tratamento. Não existem remédios para tratar ou curar a dislexia.

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Não. Em contraste com a crença popular, pessoas com dislexia geralmente não têm propensão de ver letras ou palavras ao contrário. Na verdade, o déficit responsável pela dislexia reside no sistema de linguagem, e não no sistema visual. Portanto, pessoas com essa condição têm dificuldade para nomear as letras, por exemplo, referindo-se ao b como d ou vice-versa. Além disso, elas podem ter dificuldade para selecionar o fonema apropriado, utilizando um fonema que tem um som similar (Vera / fera; inimigo / iminigo). Esse tipo de confusão é bastante comum na expressão oral e escrita de pessoas com dislexia.

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O termo “disortografia” às vezes ainda é utilizado para se referir ao transtorno específico da aprendizagem com prejuízo na expressão escrita. As alterações presentes incluem dificuldades para ortografar (p. ex., pode adicionar, omitir ou substituir vogais e consoantes) e dificuldades com a expressão escrita (p. ex., comete múltiplos erros de gramática ou pontuação nas frases; emprega organização inadequada de parágrafos; expressão escrita das ideias sem clareza).

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De acordo com a Associação Internacional de Dislexia (IDA, na sigla em inglês), a dislexia afeta 10% da população mundial. A associação calcula que haja mais de 700 milhões de pessoas disléxicas no mundo.

Estima-se que 4% da população brasileira tenha dislexia, o que representa mais de 8 milhões de pessoas.

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De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Americana de Psiquiatria (APA, na sigla em inglês), a prevalência de transtornos de aprendizagem é de 5 a 15% entre crianças em idade escolar, em diferentes idiomas e culturas. Nos adultos, a prevalência é desconhecida.

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